Apoio a desempregados: o PS e o Parlamento tiveram a sensibilidade que faltara ao Governo

É sabido por quem acompanhe o que escrevo que apresentei há meses num artigo de opinião (que podem consultar aqui no Canhoto) a proposta de criação de um subsídio de desemprego temporário, para o período da pandemia, que protegesse todos os trabalhadres que perderam os seus empregos, viram cessada a sua atividade e perderam os seus rendimentos. É igualmente público que elogiei no meu bogue o acolhimento que essa ideia teve por parte do Bloco de Esquerda e lamentei a falta de acolhimento que mereceu da parte do governo.

Continuar a ler “Apoio a desempregados: o PS e o Parlamento tiveram a sensibilidade que faltara ao Governo”

A pobreza extrema e as políticas públicas em Portugal

Faz hoje, 1 de julho de 2020, vinte e quatro anos que começou uma medida experimental de combate à pobreza extrema, que tinha como característica ser de base familiar, acesso universal, independente da idade e da saúde e condicionada apenas à disponibilidade dos beneficiários para a inclusão social. Chamava-se Rendimento Minimo Garantido.

A crédito dessa iniciativa conta-se hoje, entre muitas outras coisas, um forte encorajamento às famílias para que os seus filhos permanecessem na escola e, durante muitos anos, um forte alívio na intensidade da pobreza.

Continuar a ler “A pobreza extrema e as políticas públicas em Portugal”

A espantosa realidade das coisas # 28 de junho

Os dois comentadores residentes do magazine “A espantosa realidade das coisas” analisam, nesta emissão, as recentes declarações de Jeff Jarvis à TV3 espanhola. O escritor e professor de jornalismo, autor do livro “O fim dos meios de comunicação de massas”, considera que o jornalismo terá perdido, há muito, o combate com outras plataformas por não ter escutado as vozes que já existiam mas que não tinham tido eco nas notícias. Para Jeff Jarvis, “é preciso que a democracia e o jornalismo sejam uma conversa”.

Trabalho e Estado Social: o que vai mudar? O que deve mudar? O que podemos fazer?

Videoconferência realizada em 7 de maio de 2020, organizada pela Práxis – Reflexão e Debate sobre Trabalho e Sindicalismo, a Associação de Combate à Precariedade – Precários Inflexíveis e o Sindicato dos Jornalistas. Com intervenções de Alexandre Abreu (economista), Cláudia Joaquim (investigadora em Segurança Social), João Leal Amado (jurista laboral) e Paulo Pedroso (sociólogo). Comentários de José Feliciano Costa (Presidente do SPGL e do CN da CGTP-IN), Mafalda Brilhante (Direção dos Precários Inflexíveis), Rui Miranda (SG do SINDEL e do Sec. UGT) e Sofia Branco (Presidente do Sind. Jornalistas). Moderação: Raquel Azevedo, PRÁXIS Linguagem gestual portuguesa: Joana Moreira

A proteção no desemprego e a covid-19

Portugal já tinha um problema com a proteção dos desempregados antes de chegar a pandemia. Em fevereiro de 2020 47% dos desempregados não recebiam subsídio de desemprego nem subsídio social de desemprego. Em 2018, último ano para o qual temos estatísticas da pobreza, 45,6% dos desempregados eram pobres quando a mesma taxa para as pessoas em idade ativa não chegava a 17%. Mas nos últimos anos, embalados pelo crescimento do emprego, dedicámos pouca ou nenhuma atenção ao facto de que os desempregados são os mais vulneráveis à pobreza.

A pandemia trouxe novos desafios a esta realidade. A 2 de abril de 2020 publiquei no Diário de Notícias uma reflexão e uma proposta de medida de política pública de apoio aos desempregados para os tempos da Covid19, que pode ler aqui.

Presidenciais: há lugar à esquerda para um(a) ‘underdog’?

Neste artigo que pode ler no Diário de Notícias defendo que sociais-democratas, socialistas democráticos, ecologistas de esquerda que priorizem o seu espaço político sobre as conveniências imediatas de partidos ou governos, os ativistas de diferentes causas sociais, incluindo as sindicais, teriam muito a ganhar em assumir uma candidatura-travão do populismo, mas também de criação de dificuldades ao regresso do arco da governabilidade, uma candidatura de alternativa a que o centro de gravidade do sistema político deslize para a direita, centrado num Marcelo reforçado, depois da estrondosa derrota que esta teve nas eleições legislativas.