A PSP e o processo judicial ao cartoon

Porque é a PSP tão sensível a um cartoon de um jornal satírico? Não é credível que os seus altos comandos não antecipem que esta queixa associa a instituição a limitações da liberdade expressão. Também é improvável que a hierarquia ignore que há bases factuais sobre as quais elaborar caricaturas que associem alguns dos seus membros a comportamentos racistas e movimentos de extrema direita. Parece, pois, um tiro no pé.

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Ameaças e coação são – e já eram – crime

É notícia que um grupo desconhecido (secreto? Clandestino? Disfarçado) ameaçou por mail cidadãos ativistas de uma causa política e procurou coagir um órgão constitucional na pessoa de três deputadas. Quer as ameaças quer a coação são crimes tipificados à décadas e punidos pelo Código Penal.

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O Parlamento vai curvar-se perante o PR. Poderia também curvar-se perante o bom-senso.

Como é sabido e já aqui foi criticado, o PS e o PSD decidiram que havia excesso de momentos mediáticos no seu escrutínio ao governo e prescindiram quase totalmente do debate parlamentar com o Primeiro-Ministro, como se não fosse primariamente perante este que aquele tem que responder. Mas o Presidente da República pôs o dedo no ar e convidou o Parlamento à reflexão.

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Madeira Luís, uma formiga da liberdade

Há pessoas que nos impressionam à primeira vista e para sempre. Compreenderão todos os que conheceram Francisco Madeira Luís que, tendo tido na vida o privilégio de beneficiar do seu sorriso aberto e apesar de ter visto em diversos países e ocupações diferentes pessoas espetaculares, partilhe aqui essa impressão.

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A Covid19 e a queda da esquerda na realidade

No fim da legislatura passada, as forças políticas à esquerda tiveram a ilusão de que a geringonça tinha sido uma experiência datada, fazendo cada uma os seus balanços de ganhos e perdas com ela, em ritmo de autópsia.

O PS, em particular, interpretou a combinação da sua subida eleitoral com o não reforço dos setores à sua esquerda como um sinal para governar com menos constrangimentos e regressar à técnica de zigzag de antigamente, ora surfando uma oportunidade à direita, ora atuando sozinho com umas abstenções negociadas na 24.ª hora, mas sobretudo colando-se ao Presidente da República para retirar espaço ao PSD, criando um bloco central real, com a perversidade acrescida de passar-se ao lado do poder legislativo.

Por uma vez o otimismo de António Costa foi traiçoeiro. O seu plano é um governo para três legislaturas e a sua estratégia era fazê-lo em subida eleitoral permanente. Ou seja, repetir a carreira de Cavaco Silva. Mas repetiu a sub avaliação dos obstáculos que o próprio Cavaco Silva tinha feito. E, claro, não poderia antecipar que a Covid19 lhe cairia em cima. Mas qualquer perturbação séria induzida pela realidade exterior teria o efeito que teve a desaceleração económica depois de 1991 sobre Cavaco Silva.

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Ho-mi-cí-di-o

1. A morte de Bruno Candé foi um homicídio, provavelmente com motivações racistas. O homicídio é o pior crime pessoal que pode ser cometido. Só quando em legítima defesa e com proporcionalidade se poderá falar em razões atendíveis para matar. De resto, não há boas razões para o homicídio, nem umas piores do que as outras. Portanto, por favor, parem de menorizar a morte de Bruno Candé chamando-lhe apenas crime racista e dêem-lhe o seu verdadeiro e muito grave nome: ho-mi-cí-dio.

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Digitalização e trabalho: não necessariamente adversários

Todas as grandes transições tecnológicas passadas desafiaram o mundo do trabalho e desencadearam a necessidade de novas respostas. Frequentemente, foram acompanhadas de tentativas de pôr em causa equilibrios pré-estabelecidos. A transição digital não será diferente.

Esther Lynch, Secretária-geral Adjunta da Confederação Europeia dos Sindicatos escreve na Social Europe sobre como os sindicatos devem ter uma estratégia proativa de diálogo social na aceleração da transição digital que a Covid19 potencia, mas que já se aproximava.

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Estranha ideia de liberdade académica

1. Segundo Luís Cabral, professor na Universidade de Nova Iorque, a crítica à decisão da direção da Nova SBE, no que designa como o caso Peralta, é exagerada e unilateral. Citando: “se há liberdade de expressão deve ser para todos: seria bom que os cronistas da praça que com tanto entusiasmo se debruçaram sobre o caso Peralta respondessem também aos 67 professores do ISCTE que repudiaram publicamente — em moldes que vão muito para lá do debate académico civilizado — o trabalho de investigação de Riccardo Marchi sobre o fascismo e o partido Chega”. Opinião não é ciência mas não dispensa alguma adesão aos factos. O que, de todo, não acontece neste caso.

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