Em defesa da honra

1. As ideias feitas têm a cabeça dura. Resistem para além do expectável, parecendo imunes à prova dos factos. Por exemplo, no bloco dos “países frugais” florescem estereótipos sobre os povos e os países do sul que, apesar de errados, provocam danos ao sul e à Europa, em geral, minando a sua coesão. De acordo com esses estereótipos, os países do sul têm economias débeis sustentadas pelo turismo e estados gastadores que acumulam dívidas. Em resumo, trabalham pouco e vivem acima das suas possibilidades.

Continuar a ler “Em defesa da honra”

Não há escola pública à distância

1. A resposta à pandemia obrigou ao fecho das escolas. Porque numa primeira fase não havia alternativa e porque, na prática, muitos pais decidiram retirar os filhos da escola mesmo antes do seu encerramento. Não vou discutir se as escolas já deveriam ter aberto ou não. Apenas sublinhar os custos do seu encerramento e da substituição do ensino presencial pelo ensino à distância. Porque são custos que temos que pesar na tomada de decisão e porque é necessário pensar como recuperar minimamente o tempo do encerramento para minimizar os efeitos negativos que este já teve.

Continuar a ler “Não há escola pública à distância”

Apoio a desempregados: o PS e o Parlamento tiveram a sensibilidade que faltara ao Governo

É sabido por quem acompanhe o que escrevo que apresentei há meses num artigo de opinião (que podem consultar aqui no Canhoto) a proposta de criação de um subsídio de desemprego temporário, para o período da pandemia, que protegesse todos os trabalhadres que perderam os seus empregos, viram cessada a sua atividade e perderam os seus rendimentos. É igualmente público que elogiei no meu bogue o acolhimento que essa ideia teve por parte do Bloco de Esquerda e lamentei a falta de acolhimento que mereceu da parte do governo.

Continuar a ler “Apoio a desempregados: o PS e o Parlamento tiveram a sensibilidade que faltara ao Governo”

A pobreza extrema e as políticas públicas em Portugal

Faz hoje, 1 de julho de 2020, vinte e quatro anos que começou uma medida experimental de combate à pobreza extrema, que tinha como característica ser de base familiar, acesso universal, independente da idade e da saúde e condicionada apenas à disponibilidade dos beneficiários para a inclusão social. Chamava-se Rendimento Minimo Garantido.

A crédito dessa iniciativa conta-se hoje, entre muitas outras coisas, um forte encorajamento às famílias para que os seus filhos permanecessem na escola e, durante muitos anos, um forte alívio na intensidade da pobreza.

Continuar a ler “A pobreza extrema e as políticas públicas em Portugal”

Racismo, preconceito, discriminação

1. Quando se quer perceber os modos como o racismo opera continua a ser útil regressar a textos hoje clássicos, como os de Robert K. Merton, um dos gigantes da história da sociologia. Merton argumentou que a análise do racismo ganha em distinguir duas componentes do fenómeno: o racismo no plano das ideias, ou preconceito, e o racismo no plano dos comportamentos, ou discriminação. A utilidade desta distinção deve-se a uma razão simples: ao contrário do senso-comum, não é verdade que ideias racistas se traduzam sempre em comportamentos racistas, como também não é impossível que existam comportamentos racistas mesmo entre quem não partilha ideias racistas.

Continuar a ler “Racismo, preconceito, discriminação”