A recondução e a independência

Aceita-se que o Primeiro-ministro imagine, porque o detém, que o poder executivo é tão forte em Portugal que deve autoinibir-se de fazer um juízo de mérito dos titulares de órgãos independentes para não os condicionar. Mas não se compreende porque há-de o Presidente da República partilhar tal entendimento quando é precisamente o facto de a nomeação ser feita por si que garante a independência que pode estar em causa.

Um Costa Silva social, já

Perante a magnitude do desafio, pode seguir-se o caminho que se desenha, de cada setor desenhar uma ou mais medidas inovadoras, como estamos a ver na política de habitação ou na prestação social contra a pobreza. Mas se não tivermos uma nova visão de conjunto das políticas a desenvolver há grandes riscos de criarmos novas respostas aos solavancos , com reduzido sentido estratégico. Para não ser assim, é necessária e urgente uma visão de conjunto para a coesão social que ainda nos falta. Arranjem um Costa Silva social, já.

Ana Gomes e o civismo democrático

Estamos num momento político em que o avanço da extrema-direita está a pôr em causa consensos que dávamos por adquiridos. Hoje há forças abertamente racistas e xenófobas, que identificam o português comum com o homem branco. Quem preside à República não pode ser complacente com essas visões. A ditosa pátria nossa amada é nossa, de pessoas de todas as cores, origens, tamanhos, feitios e medidas, crenças e religiões diversas. É a nossa casa comum e não o sangue dos nossos avós. É uma ideia inclusiva e não um rótulo que exclui.

É possível prevenir as mortes em lares?

Da audição parlamentar às Ministras da Saúde e do Trabalho e Solidariedade Social sobre as mortes de idosos em lar ficou a ideia de que o Governo está preocupado em aprender com erros. É uma aprendizagem necessária e não só em Portugal, mas seria errado reduzir essa aprendizagem à organização dos cuidados de saúde a idosos em lar, embora os inclua necessariamente.

Escrevi sobre isto no artigo do DN.

Manifesto pela Educação para a Cidadania e Desenvolvimento

Eu subscrevi, porque a cidadania não é opcional nem fútil e porque a educação de crianças e jovens não é uma liberdade dos pais mas um direito dos filhos, que cabe ao Estado assegurar.

O manifesto está já publicado nesta página do Facebook. Para subscrever basta mandar um mail para educacivic@gmail.com

“Querem que vos faça um desenho?” pergunta o Fernando Alves.

A Espantosa Realidade que o Fernando Alves partilha na TSF aos domingos com a Rita Figueiras, a Teresa Dias Mendes e eu próprio acabou a época com uma experiência artística única. Se encontrar um desenho para adultos no livro que acabou de comprar na livraria Poesia Incompleta, isso é… a arte de Bárbara Assis Pacheco. Para ficar com o desenho deve comprar um livro para oferecer à artista. Que lhe ofereceria?, pergunta-me. Fernando Grade, respondo. Por exemplo a pensar nesta rapariga da Groenlândia que responderia bem aos desenhos de Bárbara.

Passámos por coisas mais pornográficas e menos espantosas, que a pornografia está no olhar (ou na falta dele) sobre as coisas, todas espantosas. Aqui fica o último programa antes do verão.

A caixa de previdência de advogados e solicitadores em debate

Fui convidado pela Ordem dos Advogados para participar esta tarde na sua sede num debate sobre a segurança social dos advogados e solicitadores.

Lá irei com muito gosto, sustentar a posição de que a Constituição de 1976 pugnava por uma segurança social única, que se foi fazendo aos solavancos desde então, num processo a que já só falta, para ficar completo, a integração desta Caixa na segurança social. O que não quer dizer que tenha que ser à pressa, com pouca ponderação e sobretudo se não for essa também a vontade dos beneficiários.

Em Maio, antes da reabertura do Canhoto, escrevi um texto em que sintetizei o que penso e que aqui deixo de novo ao escrutínio de leitores que se interessem pelo tema.