Máquinas de desigualdade

A crise não atinge todos os países por igual, nem somos todos iguais perante a doença. Internacionalmente, a crise é assimétrica e, internamente, a crise e a reação à crise são máquinas de produção de desigualdade. Por isso é preciso dosear as políticas e recusar a lógica única de otimização da proteção sanitária.

Ler mais em Público, 13 de abril de 2020
(texto escrito no âmbito de uma parceria com a Associação Portuguesa de Sociologia)

A proteção no desemprego e a covid-19

Portugal já tinha um problema com a proteção dos desempregados antes de chegar a pandemia. Em fevereiro de 2020 47% dos desempregados não recebiam subsídio de desemprego nem subsídio social de desemprego. Em 2018, último ano para o qual temos estatísticas da pobreza, 45,6% dos desempregados eram pobres quando a mesma taxa para as pessoas em idade ativa não chegava a 17%. Mas nos últimos anos, embalados pelo crescimento do emprego, dedicámos pouca ou nenhuma atenção ao facto de que os desempregados são os mais vulneráveis à pobreza.

A pandemia trouxe novos desafios a esta realidade. A 2 de abril de 2020 publiquei no Diário de Notícias uma reflexão e uma proposta de medida de política pública de apoio aos desempregados para os tempos da Covid19, que pode ler aqui.

Presidenciais: há lugar à esquerda para um(a) ‘underdog’?

Neste artigo que pode ler no Diário de Notícias defendo que sociais-democratas, socialistas democráticos, ecologistas de esquerda que priorizem o seu espaço político sobre as conveniências imediatas de partidos ou governos, os ativistas de diferentes causas sociais, incluindo as sindicais, teriam muito a ganhar em assumir uma candidatura-travão do populismo, mas também de criação de dificuldades ao regresso do arco da governabilidade, uma candidatura de alternativa a que o centro de gravidade do sistema político deslize para a direita, centrado num Marcelo reforçado, depois da estrondosa derrota que esta teve nas eleições legislativas.