É possível prevenir as mortes em lares?

Da audição parlamentar às Ministras da Saúde e do Trabalho e Solidariedade Social sobre as mortes de idosos em lar ficou a ideia de que o Governo está preocupado em aprender com erros. É uma aprendizagem necessária e não só em Portugal, mas seria errado reduzir essa aprendizagem à organização dos cuidados de saúde a idosos em lar, embora os inclua necessariamente.

Escrevi sobre isto no artigo do DN.

Ideias feitas: o “problema” da natalidade

1. O tema da natalidade é recorrente no debate público e no campo político. Hoje voltou ao Parlamento. É um daqueles temas em que, no plano dos pressupostos, parece haver uma enorme convergência: em termos simples, dir-se-ia que todos os partidos partilham a ideia de que a redução da natalidade é um problema e a opinião de que devem ser criadas medidas de promoção da natalidade. Não partilho estas ideias e opiniões. Pelo contrário, defendo que a baixa da natalidade é uma boa notícia e que as políticas de promoção da natalidade não fazem qualquer sentido.

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Ainda sobre a Festa do Avante

1. Continua a saga da indignação pouco democrática com a não proibição da Festa do Avante. Foi triste ouvir partidos, políticos em exercício e comentadores pedirem essa proibição, umas vezes ao Governo, outras a uma entidade administrativa, a DGS. É lamentável que se continue a aceitar como normal e desejável a possibilidade de um Governo ou Direção-geral proibir uma atividade partidária. Uma proibição dessa natureza ofende tanto os princípios básicos da democracia, constitui um precedente tão grave de suspensão da ordem constitucional que só poderia ser concebida num quadro de estado de exceção que previsse expressamente aquela possibilidade. Tudo o resto é, simplesmente, falta de sentido democrático.

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Manifesto pela Educação para a Cidadania e Desenvolvimento

Eu subscrevi, porque a cidadania não é opcional nem fútil e porque a educação de crianças e jovens não é uma liberdade dos pais mas um direito dos filhos, que cabe ao Estado assegurar.

O manifesto está já publicado nesta página do Facebook. Para subscrever basta mandar um mail para educacivic@gmail.com

A educação é um direito dos educandos

Um aluno deve poder objectar livremente a algo que lhe pretendam ensinar e os encarregados de educação e o Estado e os professores têm o dever de garantir que existe nas escolas um clima de liberdade de opinião. Mas isso nada tem a ver com o direito de um pai negar educação para a cidadania, ou português, ou educação física aos seus filhos.

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Quando a tática ganha à estratégia

(De regresso à regularidade no Canhoto, depois da pausa de agosto.)

1. Num dos últimos postes da primeira vida do Canhoto, “Prioridades”, comparava a importância relativa das infraestruturas rodoviárias e ferroviárias nos diferentes países da União Europeia. A conclusão era simples: Portugal era dos países europeus com melhor rede de autoestradas e pior rede ferroviária. Este foi o resultado das prioridades de investimento em infraestruturas de transportes na primeira vaga dos fundos europeus.

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