Madeira Luís, uma formiga da liberdade

Há pessoas que nos impressionam à primeira vista e para sempre. Compreenderão todos os que conheceram Francisco Madeira Luís que, tendo tido na vida o privilégio de beneficiar do seu sorriso aberto e apesar de ter visto em diversos países e ocupações diferentes pessoas espetaculares, partilhe aqui essa impressão.

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A Covid19 e a queda da esquerda na realidade

No fim da legislatura passada, as forças políticas à esquerda tiveram a ilusão de que a geringonça tinha sido uma experiência datada, fazendo cada uma os seus balanços de ganhos e perdas com ela, em ritmo de autópsia.

O PS, em particular, interpretou a combinação da sua subida eleitoral com o não reforço dos setores à sua esquerda como um sinal para governar com menos constrangimentos e regressar à técnica de zigzag de antigamente, ora surfando uma oportunidade à direita, ora atuando sozinho com umas abstenções negociadas na 24.ª hora, mas sobretudo colando-se ao Presidente da República para retirar espaço ao PSD, criando um bloco central real, com a perversidade acrescida de passar-se ao lado do poder legislativo.

Por uma vez o otimismo de António Costa foi traiçoeiro. O seu plano é um governo para três legislaturas e a sua estratégia era fazê-lo em subida eleitoral permanente. Ou seja, repetir a carreira de Cavaco Silva. Mas repetiu a sub avaliação dos obstáculos que o próprio Cavaco Silva tinha feito. E, claro, não poderia antecipar que a Covid19 lhe cairia em cima. Mas qualquer perturbação séria induzida pela realidade exterior teria o efeito que teve a desaceleração económica depois de 1991 sobre Cavaco Silva.

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Ho-mi-cí-di-o

1. A morte de Bruno Candé foi um homicídio, provavelmente com motivações racistas. O homicídio é o pior crime pessoal que pode ser cometido. Só quando em legítima defesa e com proporcionalidade se poderá falar em razões atendíveis para matar. De resto, não há boas razões para o homicídio, nem umas piores do que as outras. Portanto, por favor, parem de menorizar a morte de Bruno Candé chamando-lhe apenas crime racista e dêem-lhe o seu verdadeiro e muito grave nome: ho-mi-cí-dio.

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Digitalização e trabalho: não necessariamente adversários

Todas as grandes transições tecnológicas passadas desafiaram o mundo do trabalho e desencadearam a necessidade de novas respostas. Frequentemente, foram acompanhadas de tentativas de pôr em causa equilibrios pré-estabelecidos. A transição digital não será diferente.

Esther Lynch, Secretária-geral Adjunta da Confederação Europeia dos Sindicatos escreve na Social Europe sobre como os sindicatos devem ter uma estratégia proativa de diálogo social na aceleração da transição digital que a Covid19 potencia, mas que já se aproximava.

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Estranha ideia de liberdade académica

1. Segundo Luís Cabral, professor na Universidade de Nova Iorque, a crítica à decisão da direção da Nova SBE, no que designa como o caso Peralta, é exagerada e unilateral. Citando: “se há liberdade de expressão deve ser para todos: seria bom que os cronistas da praça que com tanto entusiasmo se debruçaram sobre o caso Peralta respondessem também aos 67 professores do ISCTE que repudiaram publicamente — em moldes que vão muito para lá do debate académico civilizado — o trabalho de investigação de Riccardo Marchi sobre o fascismo e o partido Chega”. Opinião não é ciência mas não dispensa alguma adesão aos factos. O que, de todo, não acontece neste caso.

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“Querem que vos faça um desenho?” pergunta o Fernando Alves.

A Espantosa Realidade que o Fernando Alves partilha na TSF aos domingos com a Rita Figueiras, a Teresa Dias Mendes e eu próprio acabou a época com uma experiência artística única. Se encontrar um desenho para adultos no livro que acabou de comprar na livraria Poesia Incompleta, isso é… a arte de Bárbara Assis Pacheco. Para ficar com o desenho deve comprar um livro para oferecer à artista. Que lhe ofereceria?, pergunta-me. Fernando Grade, respondo. Por exemplo a pensar nesta rapariga da Groenlândia que responderia bem aos desenhos de Bárbara.

Passámos por coisas mais pornográficas e menos espantosas, que a pornografia está no olhar (ou na falta dele) sobre as coisas, todas espantosas. Aqui fica o último programa antes do verão.

Passos de Assis

O Público entrevista Francisco Assis sobre Passos Coelho (não faço a ligação porque o artigo está fechado).

A leitura que o novo Presidente do Conselho Económico e Social faz do Primeiro-Ministro de 2011 a 2015 é uma visão do país e da política. Felizmente que muito provavelmente com pouco eco na governação desta crise em que estamos a mergulhar.

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Transformar a economia portuguesa tornando-a mais sustentável social, ambiental e economicamente

António Costa Silva participa nas Discussões do Canhoto para uma conversa sobre a Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal, que elaborou a convite do primeiro-Ministro.

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Teletrabalho

1. Não é descoberta recente. Experiências de teletrabalho mais ou menos amplas existem desde os anos 90 do século passado, sobretudo nos EUA. Mas foi com a covid-19 que se generalizou e ganhou uma escala inexistente nas experiências do passado. Muitos dos que o experimentaram ficaram satisfeitos com a descoberta. Em parte, porque lhes permitiu lidar com os medos gerados pela pandemia. Noutra parte porque existem vantagens reais neste regime. Agora, com um pouco mais de racionalidade, que a emergência tinha colocado entre parêntesis, é altura de o discutir de modo sistemático. Até porque, sendo fenómeno minoritário antes da crise, sofre de um enorme défice de regulação.

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